Se existe algo mais emblemático que abrir um blog em época de fim de ano , eu ainda não conheci. Tudo bem que não é uma prática assim tão comum se a análise for feita no sentido 'hiponímico' da coisa, mas de forma geral é até bem clichê criar abertura para um canal de expressão em um período do ano [e porque não da vida?] que carrega o signo da reflexão e da mudança, como uma forma de dar vazão a angústias, ansiedades e outras inquietações d´alma menos melodramáticas como os simples pareceres sobre as coisas simples [ou não] da vida.
Não que eu tenha nada contra signos ou significações, mas também não sou um Saussure da vida. Não que eu tenha nenhuma pretensão de que o que eu escrevo se propague- até mais porque acontecimentos assim são como loterias, ou melhor, raios que atingem sua cabeça te tornando mais um figurão da cultura pop de baixo calão e o escolhido da atualidade já foi Bruna Surfistinha- e muito menos de me tornar uma escritora.Confesso que já pensei nisso, mas nada que Parerga und Paralipomena já não tenha me colocado no meu lugar. É, "a vida é dura."
Enfim, tudo o que isso está por se tornar, será apenas a escrita -de um desconhecido para alguns de vocês- sobre fatos, boatos, observações e divagações e, numa paráfrase safada de Caminha, peço que meus ilustríssimos, digníssimos leitores-se os tiver- tomem minha ignorância por boa vontade e creiam bem por certo que, para não aformosear nem afear os acontecimentos, não porei aqui mais do que aquilo que vi e me pareceu.
Stay beautiful,
Riccio
...
É sempre no passado aquele orgasmo
É sempre no presente aquele duplo,
É sempre no futuro aquele pânico.
É sempre no meu peito aquela garra
É sempre no meu tédio aquele aceno
É sempre no meu sono aquela guerra.
É sempre no meu trato o amplo distrato
Sempre na minha firma a antiga fúria
Sempre no mesmo engano outro retrato.
É sempre nos meus pulos o limite
É sempre nos meus lábios a estampilha
É sempre no meu não aquele trauma.
Sempre no meu amor a noite rompe
Sempre dentro de mim meu inimigo
E sempre no meu sempre a mesma ausência.
O Enterrado Vivo,
Drummond de Andrade
Não que eu tenha nada contra signos ou significações, mas também não sou um Saussure da vida. Não que eu tenha nenhuma pretensão de que o que eu escrevo se propague- até mais porque acontecimentos assim são como loterias, ou melhor, raios que atingem sua cabeça te tornando mais um figurão da cultura pop de baixo calão e o escolhido da atualidade já foi Bruna Surfistinha- e muito menos de me tornar uma escritora.Confesso que já pensei nisso, mas nada que Parerga und Paralipomena já não tenha me colocado no meu lugar. É, "a vida é dura."
Enfim, tudo o que isso está por se tornar, será apenas a escrita -de um desconhecido para alguns de vocês- sobre fatos, boatos, observações e divagações e, numa paráfrase safada de Caminha, peço que meus ilustríssimos, digníssimos leitores-se os tiver- tomem minha ignorância por boa vontade e creiam bem por certo que, para não aformosear nem afear os acontecimentos, não porei aqui mais do que aquilo que vi e me pareceu.
Stay beautiful,
Riccio
...
É sempre no passado aquele orgasmo
É sempre no presente aquele duplo,
É sempre no futuro aquele pânico.
É sempre no meu peito aquela garra
É sempre no meu tédio aquele aceno
É sempre no meu sono aquela guerra.
É sempre no meu trato o amplo distrato
Sempre na minha firma a antiga fúria
Sempre no mesmo engano outro retrato.
É sempre nos meus pulos o limite
É sempre nos meus lábios a estampilha
É sempre no meu não aquele trauma.
Sempre no meu amor a noite rompe
Sempre dentro de mim meu inimigo
E sempre no meu sempre a mesma ausência.
O Enterrado Vivo,
Drummond de Andrade