quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

EGO-CÊNTRICO

Eu vi você ir, deixei
Chorei sua partida menos por saudade, que por não querer fechar um ciclo que eu gostaria que continuasse
Até que eu pudesse te exaurir e ficar exausta
De sua boca, pêlos, mãos, palavra e passado
E de tudo o que eu sou e quero e não posso quando estou contigo;

Eu vi você ir, fiquei
E voltei pra casa cheia de tédio e engasgo
E revi tuas fotos, cheia de mágoa e medo
E reli Bukowski, sentindo raiva e náusea;

A semana passou num tempo anestesiado
E o meu peito deserto, antes intumescido
Guarda um gosto pela cólera de amor pré-desvalido
E por tudo que passa, quebra, falta e é retirado;

Ao Sol febril de Fevereiro a vista arde
Em minha andança pela cidade o peito inflama
E ante o gozo, o nojo, o choro, o vil desprezo
Te invoco, inócuo, ao status quo de sua lama

No silêncio voraz de quem sente e cala
E sabe e nega e suja e prende e subverte
E amordaça e sucumbe e subjuga e envergonha
E violenta e envaidece e possui e fere

E é por te ter por Deus que peço ao Diabo
Por desejar-te meu que anulo o seu desejo
Por te abrir a perna o peito os braços
E levares tudo e deixares nada recíproco
Senão um jorro, um gosto e um gemido

Eu queria te odiar sempre como te odeio agora porque amar você é amar sozinha e casar com as estrelas e a não -palavra
É deitar-se com a matéria e a abnegação de tudo o que eu sinto;
E tudo o que eu não sou, e quero, e não consigo, quando estou contigo
Porque te amar, é amar a antítese do que eu quero,
Mas como te quero perto,
Antítese de mim.







IhateyouIhateyou

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Qual fulgor, que por mais sincero e risonho
Não cintila a exatidão de uma tristeza distante
Que de convexas flechas de um deus errante
Não se constrói, da queda do seu próprio sonho?

Lanço-te a mão o mais sincero abandono
Inconsciente, qual o momento em que fugiste
Do brilho absconso mais claro e triste
D´um amor tão virginal quanto impoluto

Cresce perene, pálida imagem tua
Esguia, ergue-se a Sílfide constante no meu sonho
E lança-se ao chão ao mais infecundo abandono
D´um amor raquítico, anêmico, estéril

Ai, que se me lhe houvesse pedido
Lho haveria equivocadamente cedido
Lonjura mais distante que o afélio.

AFÉLIO
outubro,2005
Poema antigo, preto, estéril de uma época ainda mais.Não relembro o passado, aqui, com nostalgia ou sentimento de qualquer ordem...apenas relembro por ter achado velhos documentos de texto numa pasta velha do pc. Arquivo sem nome é carta antiga esquecida no fundo da gaveta...mas por aqui a letra é virtual, o universo é cibernética, o que sobra , sim, é realidade ainda que intocável e pueril. Não só por ser sentimento mas por ser passado. E muito.
Stay beautiful,
Riccio