sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

ARLEQUIM



Nos olhos teus, qual se esconde o segredo
Que aumenta a tua servil doçura nua
Quem te pôs assim tão belo e frágil, filho da lua
E tão negro e fatal aos meus versos?

Que água turva bebeu-lhe à boca
Afogando minhas certezas obscuras
Quem te esculpiu assim tão bela arte crua
E tão gélida quanto solitário , o meu sepulcro?

Se soubésseis quão puro sois, quão puro o carma
Trazes em tamanha perfeição, outrora somente tua
Que de palavra e gesto e cor e som , situa
A tua eterna presença-ausência em todo espaço.













Agosto de 2005.

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