AO MEU LIVRO PERDIDO
As Palavras Andantes andaram de mim
Rumo a um não-sei-onde em que não estouE eu me pergunto que mal as fizPra merecer a violência desse abandono inexplicávelEsse estado de ausência Entre a fuga e o arranque.Eu nem as vi partir.E achei isso uma traiçãoEsse sair silencioso, esse abandonar de sorrate,Essa quase incoerência em saber-se palavra E de não ter me dito nada Quando, de mim, foi embora.Às vezes, penso que tudo que é bom me escapaE sobra em mim só esse gosto amargoEsse gosto ocreEssa saudade Esse mesmo sentir doente de merdaQue eu mudoQue eu mudoQue eu mudoQue nunca muda de mim.
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