segunda-feira, 7 de novembro de 2011

RÚTILO

Serena imagem tua invade o instante em que eu cria ter por ti somente a falta

Quanto tempo sua presença morna silenciou em minha vida

Eu não sei.

De fato não sei detalhar os pontos precisos de suas idas e vindas

Nem precisar a exatidão de tua fala amorosa e onipresente

Porque a cada instante que vivi sem ti vivi comigo

E preenchi teus espaços por outras vozes e acalantos.


Fui teu porto.

Foi meu cais.

E fluímos um no outro intransigentes,

Despreocupados, desaguamos um no outro encontros e partidas

E éramos leves e inquietos gravitando sobre os nossos eixos desencontrados e constantes

Pendulando sobre os nossos eixos desencontrados e constantes

Tão diversos, tão comuns,

Éramos iguais em nossas diferenças.


E então depois da pausa te vi encarnado em Fogo e Luz

E a rutilância de seu Verbo figurado em Paixão e deleite tomou meu corpo

Rebotalho impreciso de minh´alma frágil e vaga

Invólucro necessário de oculta e preciosa amplidão.


E desde este dia não mais navegas em mim, porque estás.

E desde este dia não mais flui através de mim, porque és:

Minha mão na sua distante , inalcançável

Minha boca te beijando sem se abrir.

1 comentários:

Higor Paiva disse...

Nada é mais fantástico do que a sensibilidade poética, esses escritos que matam em algumas palavras para logo depois nos ressucitarem como que com um soco, mas o fato é que morrer de poesia talvez seja a única forma decente de vida,saber encontrar em cada traço, passo, acender de lâmpada, abrir e fechar de boca uma beleza sublime.
Querida Stéphanie, é sempre um enorme prazer morrer nos braços de sua poesia, abraços

Higor M. P.