Serena imagem tua invade o instante em que eu cria ter por ti somente a falta
Quanto tempo sua presença morna silenciou em minha vida
Eu não sei.
De fato não sei detalhar os pontos precisos de suas idas e vindas
Nem precisar a exatidão de tua fala amorosa e onipresente
Porque a cada instante que vivi sem ti vivi comigo
E preenchi teus espaços por outras vozes e acalantos.
Fui teu porto.
Foi meu cais.
E fluímos um no outro intransigentes,
Despreocupados, desaguamos um no outro encontros e partidas
E éramos leves e inquietos gravitando sobre os nossos eixos desencontrados e constantes
Pendulando sobre os nossos eixos desencontrados e constantes
Tão diversos, tão comuns,
Éramos iguais em nossas diferenças.
E então depois da pausa te vi encarnado em Fogo e Luz
E a rutilância de seu Verbo figurado em Paixão e deleite tomou meu corpo
Rebotalho impreciso de minh´alma frágil e vaga
Invólucro necessário de oculta e preciosa amplidão.
E desde este dia não mais navegas em mim, porque estás.
E desde este dia não mais flui através de mim, porque és:
Minha mão na sua distante , inalcançável
Minha boca te beijando sem se abrir.
1 comentários:
Nada é mais fantástico do que a sensibilidade poética, esses escritos que matam em algumas palavras para logo depois nos ressucitarem como que com um soco, mas o fato é que morrer de poesia talvez seja a única forma decente de vida,saber encontrar em cada traço, passo, acender de lâmpada, abrir e fechar de boca uma beleza sublime.
Querida Stéphanie, é sempre um enorme prazer morrer nos braços de sua poesia, abraços
Higor M. P.
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